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As dificuldades de juntar os fios soltos da multinuvem

A multinuvem é o futuro da computação. E, para a maioria das organizações, também é o presente.

Jeff DeVerter / Rackspace

A multinuvem é o futuro da computação. E, para a maioria das organizações, também é o presente. Se lhes perguntássemos quantas nuvens estão em uso, a maioria das organizações diria que apenas uma. Mas, na realidade, as estatísticas indicam que, na maioria delas, há, em média, cinco nuvens sendo utilizadas. Mesmo que a sua empresa seja totalmente baseada na Microsoft, ela ainda se enquadra como multinuvem, pois as cargas de trabalho do Azure, Office 365 e Dynamics residem em sistemas de gerenciamento distintos.

Para contextualizar, vamos definir multinuvem como a congregação de várias nuvens (pública, privada e local), originadas de diferentes provedores de nuvem (como AWS, Google Cloud Platform e Microsoft Azure) e/ou de provedores de SaaS (como Salesforce, SAP, Oracle), no mesmo ambiente. Esses fios soltos podem constituir a base para uma malha integrada que gere inovação. Em contrapartida, sem estratégia e execução adequadas, tal inovação pode ser inibida pelo esgarçamento e a ineficiência desses mesmos fios.

À medida que uma organização amadurece, torna-se quase impossível obter tudo de um fornecedor ou rodar tudo no data center. É aí que entra o modelo de consumo de multinuvem. As organizações que desejam aproveitar a IA ou o aprendizado de máquina para análises preditivas precisam de uma nuvem com alta capacidade de processamento de dados. Por outro lado, uma organização que deseje tirar proveito dos contêineres pode escolher uma nuvem com recursos mais avançados para essa implantação. Não é preciso ficar restrito a uma única nuvem nem se preocupar com o aprisionamento tecnológico. Você pode colocar as cargas de trabalho onde elas funcionam melhor.

Onde as pontas desfiam  

Se migrar para uma nuvem é bom, para duas então deve ser melhor, certo? Você pode livrar sua empresa dos males da dependência de fornecedor, expandir o panorama tecnológico da sua equipe técnica e oferecer opções de tecnologia às unidades de negócio com um provedor de nuvem preferido. Essas parecem ser boas justificativas para adotar várias nuvens no seu cenário computacional. 

Mas eu tenho um aviso para você: 1 + 1 não é igual a 2. A quantidade de esforço necessária para adotar a primeira nuvem se multiplica na hora de adicionar uma segunda ou terceira nuvem ao ambiente da sua TI corporativa. Devido ao esforço envolvido e ao impacto nas operações, sua decisão de buscar a multinuvem deve basear-se na análise honesta de vários critérios difíceis de gerenciar. Vejamos alguns deles:

Governança 

A governança engloba os fatores "quem", "que", "onde", "por que" e "quando" relativos às suas nuvens. A governança ajuda a definir, autorizar e impor quem pode fazer o que na nuvem, sob quais circunstâncias e quando será permitido fazê-lo. Isso é algo relativamente fácil de executar na infraestrutura tradicional, pois não há muita variação no que pode ser feito com ela. Mas, em um ambiente de nuvem, as opções são quase ilimitadas. Nuvens diferentes seguem protocolos de governança diferentes. O desafio está em unir todos esses requisitos e recursos de governança para aplicar uma solução em toda a empresa. 

Inventário 

Controlar ativos em uma única nuvem já é difícil. Em um ambiente multinuvem, é ainda mais complexo. No entanto, é extremamente importante que a empresa tenha uma compreensão sólida disso, por razões financeiras, de segurança, regulatórias e de recuperação de desastres. Embora cada provedor de nuvem tenha ferramentas nativas para realizar essa tarefa, em um ambiente multinuvem, cabe a você manter esses dados. Com eles, você pode viabilizar a marcação consistente entre as nuvens, habilitar o faturamento unificado e obter relatórios de chargeback/showback mais eficazes.

Registro de eventos

Ter um banco de dados dos ativos executados em todos os provedores é apenas a primeira parte da tarefa.  Em seguida, você precisa entender exatamente quem os está acessando e o que está sendo executado neles.   Ter um método para capturar esses dados em toda a nuvem torna possível criar painéis de controle e automação acionada por falha em eventos, ausência de software, mudança de configuração e, claro, requisitos de segurança e conformidade.

Para cumprir os regulamentos de segurança e conformidade, você deve registrar os eventos e, por meio de uma análise cuidadosa, corrigir e evitar eventos posteriores. O recente aumento no trabalho remoto aumenta a necessidade de rastrear dispositivos em pontos de extremidade e automatizar a recuperação de desastres. Por sua própria natureza, um ambiente multinuvem gera uma superfície de ataque mais ampla. E você precisa ver o quadro geral. Para fazer isso, precisará coletar, conectar e gerar relatórios em todos os seus ambientes de nuvem.

Apesar desses desafios, não estou recomendando que as empresas evitem a estratégia multinuvem. Na verdade, conforme dito acima, acredito que a multinuvem é o futuro — e o presente — de toda a computação em nuvem. No entanto, enfatizo que adicionar uma nova nuvem ao mix precisa ser uma atividade ponderada e proposital, atrelada ao atendimento das necessidades da empresa. Como qualquer consideração tecnológica, ela deve ser aplicada a um desafio ou oportunidade pontual dos negócios. Tenha cuidado para que o pêndulo da nuvem não se afaste muito em nenhuma direção — não é bom ficar preso a uma experiência demasiadamente controlada, muito menos afogar-se numa multinuvem fora de controle. Prepare-se para criar as ferramentas que serão necessárias para gerenciar seu ambiente multinuvem ou procure um provedor que já tenha resolvido o dilema do gerenciamento.

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Sobre o autor

CTO, produtos e serviçosJeff DeVerter

Jeff conta com 25 anos de experiência em TI e tecnologia e trabalha na Rackspace há mais de 10 anos. Jeff é um líder estratégico reconhecido, que ajudou empresas como American Express, Ralph Lauren e Thompson Reuters a criarem e executarem...

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