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A Internet do Comportamento: o que é? Será que devemos nos preocupar?

O que acontece com as quantidades gigantescas de dados obtidos por dispositivos de IoT e como você se sentiria se esses dados estivessem sendo usados para influenciar o seu comportamento?

A Internet das Coisas — uma recapitulação rápida

Não é mais preciso ser um aficionado por gadgets ou mesmo um “pioneiro na adoção” para ser usuário regular da Internet das Coisas (IoT), ou ainda para entender o que é a IoT. O número de dispositivos “inteligentes” que usamos todos os dias continua a aumentar continuamente. Campainhas pela internet, carros conectados, dispositivos alto-falantes inteligentes, sistemas de segurança e monitores de atividade física são alguns exemplos de dispositivos IoT que são agora considerados populares e usados regularmente em nossas vidas cotidianas. 

Mas a IoT não é apenas um produto de consumo, é uma tendência ainda maior para usos industriais e comerciais. Acompanhamento de inventário, gerenciamento de logística, sensores de linha de produção, segurança física e análises de sentimentos são alguns exemplos de como a revolução da IoT está simplificando processos e direcionando a mudança entre setores.

A revolução da IoT trouxe duas importantes mudanças às nossas vidas e ao ambiente conectado:

1. A funcionalidade prometida e os benefícios percebidos. 

Presumindo que você não acabou de gastar US$ 400 em um dispositivo de fazer suco conectado à internet ou em uma escova de dentes IoT, há chances de que seus dispositivos IoT estejam realizando algo parecido com uma função útil em sua vida, em conjunto com um benefício percebido. Ter um dispositivo de atividade física que “ludifica” sua atividade e o encoraja a sair para uma caminhada em geral é considerado uma coisa boa que está mudando vidas para melhor. Ser capaz de dizer “boa noite” para o seu alto-falante inteligente e fazer com que ele desligue todas as luzes internas e ative a detecção de movimento das câmeras externas traz, para muitas pessoas, tranquilidade e também conveniência percebida. Benefícios semelhantes estão sendo notados no espaço empresarial, ainda que em escala diferente.

2. A geração de dados. Muitos dados.

Além de lhe vender um interessante dispositivo novo que realiza uma tarefa aparentemente útil, os fornecedores de IoT também estão gerando e capturando vastas quantidades de dados sobre suas interações com esses dispositivos. A Cisco prevê que os dispositivos de IoT gerarão mais de 800 zettabytes por ano até o final de 2021 e que esse número crescerá exponencialmente nos anos vindouros. Um único zettabyte é igual a aproximadamente um trilhão de gigabytes.

Quando processadas corretamente, essas gigantescas quantidades de dados podem fornecer análises acionáveis sobre nosso comportamento coletivo e comum em certas situações. Esse tipo de análise é inacreditavelmente valioso a empresas que buscam melhorar o desenvolvimento dos produtos e as estratégias de marketing. Ao coletar os dados e filtrar informações úteis, as empresas podem formar projeções precisas do que os humanos farão em face a certas situações.

Apresentando a Internet do Comportamento (IoB)

O professor Göte Nyman da Universidade de Helsinki foi reconhecido como o criador do conceito “Internet dos Comportamentos” em seu blog em 2012. Em seu primeiro artigo sobre a psicologia por trás da Internet dos Comportamentos, ele escreveu:

“Acredito que, num futuro próximo, haverá uma explosão de aplicativos e serviços baseados na obtenção de orientações e informações relevantes diretamente de indivíduos e comunidades para fornecer as melhores respostas, acesso a dados, comunicação, interação, entretenimento, serviços e funções possíveis.”

É de vital importância lembrar que Nyman sugeriu esses conceitos muito antes da revolução da IoT acontecer na realidade e criar a infinidade de mecanismos de coleta de dados que nos observam hoje.

O conceito de IoB está centrado na atividade humana por meio de uma lente da psicologia comportamental. O uso de big data para entender como nos comportaremos em certas situações é incrivelmente útil para grandes organizações do mundo todo (incluindo empresas e governos).

Em seu relatório “Top Strategic Predictions for 2020 and Beyond”, a Gartner menciona a IoB e fala sobre o conceito de “hiperpersonalização” que será ativado pela coleta continuada de dados para detecção das emoções do consumidor e o uso desse conhecimento para aumentar as vendas. Eles ainda preveem que “até 2023, as atividades individuais serão rastreadas digitalmente por uma Internet do Comportamento para influenciar benefício e elegibilidade de serviço para 40% das pessoas do mundo.”

Os diferentes estágios da IoB

O conceito de IoB pode ser pensado em dois estágios de alto nível:

1. Medição: coleta e entendimento

O uso continuado de big data de múltiplas fontes (incluindo, mas de forma alguma limitado à IoT) para mensurar e entender o comportamento coletivo dos indivíduos em certas situações.

2. Influenciação: direcionando o comportamento

As análises coletadas podem ser usadas mais a fundo e “aperfeiçoadas” como um meio de direcionar o nosso comportamento em certas situações. A aplicação mais comum disso será em um cenário comercial (talvez mais frequentemente no varejo), mas há outros exemplos globais em que esse nível de hiperconectividade entre múltiplos pontos de dados seja usado pelos governos. Um exemplo que provoca mais inquietação são os sistemas de “crédito social” múltiplos da China, que foram relatados e comentados por alguns como estamos todos caminhando para isso.

As preocupações óbvias de segurança e privacidade

Embora esse nível de análise sobre o comportamento das pessoas seja visto por muitos como um agente positivo de mudança (especialmente nas esferas de marketing, comércio e social media), naturalmente existem grandes preocupações sobre a maneira como tais dados são coletados e usados. Questões relativas a privacidade, ética e confiança quase sempre emergem em todas as discussões sobre coleta de dados e geração de análises. 

Por que devemos confiar em grandes retailers, empresas de social media e outras organizações com todos esses dados sobre nós? Temos visto os dados sendo usados de maneira desonesta, manipulando atitudes e crenças em larga escala para direcionar agendas políticas por empresas como a Cambridge Analytica. Além disso, ciberataques e quebras de dados em grande escala são ocorrências muito comuns, então existe o risco desses dados irem parar em mãos erradas. Isso é simplesmente uma invasão maciça à nossa privacidade a nível pessoal? E será que estamos caminhando, sonâmbulos, à implementação global de um sistema de “crédito social”, como aquele supostamente em largo uso na China? Talvez o romance “1984” de George Orwell tenha algo de profético afinal...

Acalmando preocupações sobre privacidade

Existe um processo computacional conhecido como criptografia homomórfica, que tem a capacidade de realizar cálculos sobre dados criptografados sem precisar descriptografá-los primeiro.

Essa importante tecnologia permite que as organizações terceirizem dados com segurança a parceiros especializados em análises e processamento de big data mantendo esses dados ainda em estado criptografado. Isso poderia resultar em economia, já que as empresas não precisariam mais desenvolver experiência interna em big data para proteger as informações do cliente.

A tecnologia também garante aos clientes e parceiros que os dados coletados estejam criptografados e, portanto, anônimos, levando a maior confiança e lealdade à marca.

Seja 100% anônimo ou não, o debate sobre a ética e o uso de dados comportamentais em grande escala gerados de pontos de dados do mundo real e a oferta de análises reais do que as pessoas farão em certas situações continuará.

A maior barreira para a adoção em grande escala da criptografia homomórfica é que ela ainda é muito lenta — tão lenta que o uso para muitos aplicativos se torna impraticável. No entanto, algumas empresas e pesquisadores estão trabalhando para acelerar o processo, diminuindo a sobrecarga computacional necessária para a criptografia homomórfica.

Algumas conclusões importantes

As organizações precisam deixar mais claro quando os dados de seus clientes são anônimos e estão criptografados. Esse tipo de esclarecimento deve estar em primeiro lugar e no centro de tudo, não enterrado em parágrafos e parágrafos de “Termos e condições”. Se isso se tornasse norma, então talvez tais declarações se tornariam evidentes por sua ausência. Será que um público com experiência em privacidade de dados evitaria essas empresas e seus respectivos serviços? É possivelmente um pouco exagerado, mas evoca um pensamento: em quem podemos confiar com nossas informações pessoais e quem devemos evitar?

Ah, e a propósito, você realmente sabe para onde aquela pechincha de dispositivo de IoT (que levou 6 semanas para chegar mas que agora está orgulhosamente instalado em sua única rede de Wi-Fi doméstica) está enviando dados através de sua conexão com a internet? Pode me chamar de paranoico, mas às vezes essas coisas podem realmente estar com má intenção. De qualquer modo, já chega de perguntar: “Alexa, a que horas é minha próxima reunião”?

 

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About the Authors

Ed Randall

Consulting Architect

Ed Randall

With nearly 20 years of managed-services experience, Ed Randall has thrived across a variety of IT sectors, from financial services and retail ecommerce to defense and education. With a background in Linux, Ed specializes in operating systems, virtualization, networking and hyperscale cloud platforms. He has also developed a passion for strategy development that facilitates cost optimization, end-to-end supportability and the implementation of the proper technological solutions to drive business outcomes and meet organizational goals As a Consulting Cloud Architect on the Rackspace Technology Professional Services Team, Ed brings his considerable experience to bear in the financial services space to help drive internal adoption of Google Cloud Platform. Outside of work, Ed enjoys reading, mountain biking, working on technology projects and spending time with his two young daughters.

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